Nível de Informação e Grau de Valorização do Parque Olhos D’água 
entre Moradores de Quadras Circunvizinhas

Iza Rodrigues da Luz

Trabalho desenvolvido pela autora como parte das tarefas da disciplina Psicologia Ambiental, ministrada pelo professor Hartmut Günther, durante o primeiro semestre de 1996. Endereço: Laboratório de Psicologia Ambiental, Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, e-mail: webmaster@psi-ambiental.net

Como citar este texto

Luz, I. R. (1996). Nível de Informação e Grau de Valorização do Parque Olhos D’água 
entre Moradores de Quadras Circunvizinhas
(Série: Téxtos de Alunos da Disciplina Psicologia Ambiental). Brasília, DF: UnB, Laboratório de Psicologia Ambiental. (disponível no URL: www.psi-ambiental.net/textos/tapa1996OlhosAgua.htm)

Resumo Esta pesquisa teve por objetivo verificar o nível de informação e o grau de valorização do Parque Olhos D’água, localizado nas quadras 413 e 414 da Asa Norte, entre os moradores das quadras circunvizinhas. Para tanto foi aplicada uma entrevista estruturada contendo oito questões. Dentre essas, quatro buscaram verificar o nível de informação e quatro o grau de importância. A entrevista foi realizada de forma aleatória, entre os moradores das quadras escolhidas. Os resultados obtidos mostram que boa parte dos entrevistados nunca foram ao parque e não o reconhecem como influente na qualidade de vida de suas quadras. Apesar disto, consideraram o Parque importante para a preservação da vegetação do cerrado e das nascentes.

A cidade de Brasília é uma das cidade do País que teve sua construção planejada. Seus idealizadores a organizaram dividindo os espaços de forma a agrupar construções que tenham a mesma finalidade; assim, têm-se setores destinados somente a hospitais ou a bancos ou a clubes de lazer, etc. Este aspecto, associado com outros, como a diversidade da origem de seus primeiros habitantes, transformam a cidade em um grande laboratório natural de Psicologia Ambiental.

Recentemente, esta organização espacial vem sendo desestruturada, pois, existem algumas áreas, de características geográficas singulares, que não podem ser utilizadas para a finalidade inicialmente prevista. Este é o caso do Parque Olhos D´água que possui uma flora típica do cerrado, com grande variedade de espécies vegetais, além de várias nascentes. O Parque está situado às quadras 413 e 414 da Asa Norte, que a princípio deveriam ser quadras residenciais.

Considerando que a Psicologia Ambiental investiga o interrelacionamento entre o comportamento e o ambiente, seja ele natural ou construído, e que a situação acima descrita constitui uma mudança inusitada no ambiente, esta pesquisa objetivou verificar o nível de informação e o grau de valorização do Parque Olhos D´água entre os moradores das quadras circunvizinhas.

Metodologia

Sujeitos

A amostra foi composta por 40 respondentes, sendo formada por 10 moradores de cada uma das quadras circunvizinhas ao Parque Olhos D’água: 411, 412, 415 e 416 da Asa Norte. Foram entrevistados 29 homens e 11 mulheres. A maioria dos entrevistados (26 pessoas) tinha idade entre 20 e 40 anos.

Instrumento

Para o levantamento do nível de informação e grau de valorização atribuído ao Parque Olhos D’água, foi desenvolvido pela pesquisadora um questionário de oito perguntas (Anexo). Para elaboração do mesmo foi contactada a Associação dos Amigos do Parque Olhos D’água - SAPO, além de um funcionário do IBAMA. Dentre as oito questões, quatro visavam verificar o nível de informação e quatro o grau de valorização do Parque entre os moradores das quadras circunvizinhas.

Procedimento

A aplicação dos questionários foi realizada por meio de entrevista conduzida pela pesquisadora e por um colaborador treinado. As perguntas eram feitas aos respondentes e em seguida eram apresentadas as opções, o respondente escolhia uma das alternativas e o entrevistador fazia a marcação diante do mesmo. Os respondentes foram escolhidos de forma aleatória entre os transeuntes das quadras escolhidas. Na abordagem dos entrevistados, era exposto o objetivo da pesquisa e solicitado sua colaboração.Do total de pessoas abordadas, 99% aceitaram responder ao questionário. Durante esta atividade geralmente faziam comentários extras.

Resultados

A análise dos dados foi realizada por meio de uma tabulação. Para as quatro primeiras questões (questões informativas, para as quais existia uma resposta correta) foi tabulado número de acertos. Já para as outras questões foi tabulada a freqüencia de cada uma das alternativas, para verificar qual era a preponderante. Para a análise da questão aberta as respostas foram divididas em categorias e verificou-se o percentual de cada uma delas.

De acordo com os resultados obtidos, 30 respondentes conhecem a área ocupada pelo Parque (Questão 1). Para esse número foi relevante o índice de acerto dos moradores das quadras 411 e 412 (90%). Apenas 7 entrevistados sabiam em que ano a área do Parque foi cercada (Questão 2). Vinte e sete conhecem o mês/ano em que foi inaugurada a sede do Parque (Questão 3). Sendo os moradores das quadras 415 e 416 os principais responsáveis por este número (90%). O nome da associação de moradores que trabalha pelo Parque é conhecido por 13 respondentes (Questão 4). Dentre eles não há moradores da quadra 411.

Dezessete entrevistados afirmaram que a qualidade de vida de sua quadra não melhorou depois que a área do Parque foi cercada, 10 consideraram que esta melhorou muito, 7 afirmaram que a qualidade de vida melhorou razoavelmente e 6 que melhorou um pouco. (Questão 5)

Do total de entrevistados, 15 disseram que nunca visitaram o Parque, 12 afirmaram que já foram várias vezes ao Parque, 9 visitaram o Parque somente uma vez e 4 disseram ter visitado o parque algumas vezes. (Questão 6)

Para a oitava questão foi facultada aos entrevistados a escolha de uma ou mais alternativas, além da opção de dizer alguma opinião que não estivesse contemplada nas alternativas. O enunciado da questão solicitava ao respondente que apontasse a(s) opção(ões) que melhor expressasse sua opinião sobre o Parque. A alternativa "d" - importante, porque ajuda a preservação da vegetação do cerrado e das nascentes, foi escolhida 30 vezes; a alternativa "c" - útil, porque evita a criação de invasões, assim, diminuindo a violência - foi escolhida 16 vezes; a alternativa "a" - uma opção de lazer para as crianças - foi escolhida 13 vezes; e a alternativa "b" - um lugar agradável para a prática de exercícios físicos - foi escolhida 7 vezes.

Aproximadamente, 40% dos entrevistados consideraram que toda a população é beneficiada com a existência do Parque, 30% que a comunidade local é a beneficiária, 20% consideraram que ninguém é beneficiado e 10% que as crianças são as beneficiárias.

Discussão

O número de acertos nas questões informativas revelam que os moradores têm maior conhecimento dos aspectos facilmente observáveis (localização do Parque e inauguração da Sede), e mesmo nestas questões, a quadra dos respondentes pode ter influenciado. A localização era mais conhecida pelos moradores das quadras 411 e 412, talvez porque conheçam exatamente o ponto em que começa a área do Parque. Já a data da inauguração da sede era mais conhecida pelos moradores da 415 e 416, o que pode está relacionado com o fato dela estar situada em frente a via de acesso às quadras 415 e 416, num local próximo à quadra 415. O nome da associação que trabalha pelo Parque era desconhecido de todos os entrevistados que moravam na quadra 411, sendo mais conhecido na quadra 415. Este fato provavelmente está relacionado a maior participação de moradores desta última quadra nesta associação, que foi formada primeiramente para combater as invasões da quadra 414.

A existência de um grande número de pessoas disseram nunca ter frequentaram o Parque, e o fato de não haver segurança para os usuários (comentário feito por alguns dos entrevistados), pode ter influenciado na afirmação de muitos entrevistados. Segundo eles, não houve melhoria na qualidade de vida de sua quadra com o cercamento da área do Parque. Além disso, quando tiveram que escolher alternativas que expressassem opniões sobre o Parque, a maioria dos respondentes apontaram que o Parque era importante para a preservação da vegetação do cerrado e das nascente e que a população em geral é beneficiada com a existência dele. Estes dois dados podem deixar transparecer que os moradores circunvizinhos não se consideram privilegiados por ter o Parque tão próximo; e também, não o reconhecem como área de lazer.

Outro fator a ser considerado é que estes últimos dados podem ter sido influenciados pela mídia. Esta constantemente veicula programas, propagandas, anúncios que enfatizam a importância da preservação da natureza e os benefícios desta ação para todos os seres humanos.

O Parque ainda não foi legalmente reconhecido como área de proteção ambiental, por isso, não conta com recursos públicos que ajudem a conservá-lo e a melhorá-lo. O número de pessoas que integram a sua associação é baixo, o que dificulta até mesmo um trabalho de sensibilização dos moradores das quadras vizinhas.

Todos estes fatores contribuem para que o Parque não seja conhecido e valorizado pelas pessoas.

Tendo em vista que o número de sujeitos foi pequeno, novas pesquisas são necessárias para levantar outras variáveis que estejam influenciando os comportamentos, e mesmo para que sejam feitas análises mais consistentes, que possam correlacionar váriaveis como sexo, idade, tempo de residência na quadra, grau de escolaridade, entre outras.

Referências

Gifford, R. ( 1987 ). Environmental Psychology. Boston:Allyn and Bacon.

Günther, H. & Rozestraten, R. J. A. (1993). Psicologia Ambiental: Algumas Considerações sobre sua Área de Pesquisa e Ensino. Psicologia: Teoria e Pesquisa,9, Anexo

Conteúdo do Questionário Utilizado

Este questionário faz parte de uma pesquisa de Psicologia Ambiental, que tem como objetivo verificar o conhecimento e a avaliação da vizinhança (moradores das quadras 411, 412, 415 e 416 da Asa Norte) sobre o Parque Olhos D’água. Gostaríamos muito de poder contar com a sua colaboração respondendo a todos os itens.

Para isso, basta emitir a sua opinião ou escolher a alternativa que melhor corresponder a sua informação/avaliação em relação às questões propostas. Cabe destacar que não nos interessa analisar seus dados individualmente, mas as estatísticas do grupo.

1 Qual a área ocupada pelo Parque Olhos D’água?

a Quadra 414 norte

b Quadras 213 e 214 norte

c Quadras 413 e 414 norte

d Quadra 413 norte.

2 Em que ano foi cercada a área do Parque Olhos D’água?

a 1993 b 1994 c 1996 d não sei

3 Quando foi inaugurada a sede do Parque Olhos D’água?

a janeiro/95 b setembro/95

c maio/96 d não sei.

4 Você sabe qual é o nome da associação de moradores que trabalha pelo Parque?

a Associação dos Amigos do Parque Olhos D’água.

b Associação dos Moradores Amigos do Parque Olhos D’água.

c Sociedade dos Amigos do Parque Olhos D’água.

d não sei.

5 Depois que cercaram o Parque Olhos D’água, melhorou a qualidade de vida de sua quadra?

a Muito b Razoavelmente

c Um pouco d Não.

6 Quantas vezes você visitou o Parque Olhos D’água?

a Uma vez b Algumas vezes

c Várias vezes d Nenhuma vez.

7 Quem é beneficiado com a existência do Parque Olhos D’água?

8 Você considera o Parque Olhos D’água:

a Uma opção de lazer para as crianças;

b Um lugar agradável para a prática de exercícios físicos;

c Útil, porque evita a criação de invasões, assim, diminuindo a violência;

d Importante, porque ajuda a preservação da vegetação do cerrado e das nascentes;

e Outro, qual?

Agradecemos a sua participação e pedimos circule qual a sua quadra e qual o bloco em que você mora.

QUADRA: a) - 411 b) - 412 c) - 415 d)- 416

BLOCO A B C D E F G H I J K L M N O P Q R S

Sexo:     Masculino     Feminino.

Qual a sua idade? _____