Raio de Ação de Crianças Urbanas

Zenith Nara Costa Delabrida

Trabalho desenvolvido pela autora como parte das tarefas da disciplina Psicologia Ambiental, ministrada pelo professor Hartmut Günther, durante o segundo semestre de 1998.
Endereço: Laboratório de Psicologia Ambiental, Instituto de Psicologia, Universidade de Brasília, e-mail: webmaster@psi-ambiental.net

Como citar este texto

Delabrida, Z. N. C . (1998). Raio de Ação de Crianças Urbana (Série: Téxtos de Alunos da Disciplina Psicologia Ambiental). Brasília, DF: UnB, Laboratório de Psicologia Ambiental. (disponível no URL: www.psi-ambiental.net/textos/tapa1998RaioAcao.htm)

Resumo Entre 1930 e 1932, Muchow e Muchow (1935/1978) conduziram estudos sobre o espaço de vida de jovens da cidade de Hamburgo, Alemanha. Tentaram verificar o conhecimento e raio de ação de 109 crianças entre nove e quatorze anos, de ambos os sexos, oriundos de diferentes escolas e níveis sócio-econômicos. Apresentaram mapas aos jovens, solicitando que traçassem os caminhos e marcassem lugares conhecidos na cidade. Sendo um clássico da psicologia ambiental, pouco conhecido fora da Alemanha e pela relevância metodológica, resolveu-se realizar uma réplica do estudo no meio brasileiro, especificamente, na cidade de Taguatinga, DF. Participaram do estudo, 20 crianças de 11 a 14 anos, nove meninas e onze meninos, estudantes da 5ª a 8ª série do 1º grau de uma escola pública do DF. Inicialmente, as crianças respondiam a um questionário sobre lugares freqüentados na cidade, meio de locomoção, lugares perigosos e seguros, conhecimento de mapas e dados demográficos. Depois foram apresentados mapas da cidade onde moram – Taguatinga – e, caso necessário, da cidade de Brasília. Em seguida, solicitou-se que numerassem no mapa os locais citados no questionário. Finalmente pedia-se que, com canetas de cores diferentes, fossem traçando no mapa os locais (1) bem conhecidos, (2) já frequentados, mas pouco conhecidos, e (3) locais perigosos e seguros na cidade. Só era utilizado o mapa de Brasília caso o jovem citasse no questionário que também frequentava essa cidade. Os lugares mais frequentados foram igreja, seguida por casa de amigo (a), casa de parente, clube e shopping. Este último foi o local considerado pelos respondentes como o mais seguro. Uma outra cidade próxima, Ceilândia, foi citada como o local mais perigoso. O meio de locomoção mais utilizado foi o carro, seguido pela opção a pé e de ônibus. A maior amplitude de locais percorridos pelas crianças na cidade onde moram foi quando se locomoviam a pé. O raio de ação mais amplo foi constatado em crianças de 13 anos (ambos os sexos). Quanto ao gênero, o raio de ação das meninas para os lugares bem conhecidos foi maior do que raio de ação dos meninos. Estes, entretanto, possuem uma amplitude maior para lugares menos freqüentados. A exploração da cidade pelos jovens parece ser influenciada pela idade, sexo e percepção de segurança dos locais. Pelas próprias características da cidade – os locais são muito distantes uns dos outros – o carro foi o meio mais utilizado para locomoção, restringindo o raio de ação dos mesmos aos locais que adultos (rede social) possam levá-las. Até aos 13 anos, os jovens parecem expandir seu raio de ação, enquanto que os mais velhos já estabeleceram seu espaço na cidade, limitando-se a locais conhecidos. Em comparação aos jovens estudados pelo Muchow e Muchow, o raio de ação dos respondentes deste estudo é notavelmente maior, o que pode ser atribuido tanto as características topográficos das cidades quanto uma maior liberdade de exploração.

O indivíduo não pode ser visto, estudado fora do seu contexto. É o contexto que irá dar subsídios para o seu entendimento . Mas, de que contexto estamos falando? O discurso pode ser um contexto. Um texto, por exemplo este mesmo, pode ser um contexto. Um lugar, uma época. E uma cidade? Vários aspectos da vida na cidade podem ser estudados, tanto em relação a como as cidades estão construídas, quanto como as pessoas interagem com esses ambientes artificiais, já que a maioria delas passa a maior parte de sua vida em uma dessas construções artificiais.

Lynch (1960) diz que a imagem de um bom ambiente dá, a quem a possui, um sentido importante de segurança emocional. Pode se estabelecer uma relação harmoniosa entre si e o mundo exterior. A maneira com que se relaciona com o ambiente onde se mora influencia a qualidade de vida do indivíduo.

A cidade é explorada por seus habitantes, e é através disso, que cada habitante cria seu espaço pessoal. Como esse espaço é desenvolvido está relacionado às características desse ambiente e do indivíduo. Pode depender das exigências das condições em que a mesma vive, dinâmica pessoal, necessidades específicas (trabalho, por exemplo), fatores situacionais e ainda, do que a cidade oferece para ser explorado. Esse espaço pessoal é chamado de raio de ação, que é a amplitude na cidade explorada pelo indivíduo. A representação cognitiva do espaço pessoal forma o mapa cognitivo da cidade (Görlitz, Harloff, Mey e Valsiner, 1998).

Mapa cognitivo é a imagem que um indivíduo tem do ambiente É como esse indíviduo representa esse ambiente vivenciado. Lynch(1960) em seu estudo sobre o mapa cognitivo de moradores de três cidade americanas, definiu cinco elementos essenciais do espaço urbano que produziriam a imagem mental do espaço: vias caminhos ou rotas percorridas usualmente pelo indivíduo; limites (elementos definidores de limites de uma área qualquer); bairros (regiões urbanas características e bem delimitadas); cruzamentos (elementos estratégicos da cidade) e landmarks (elementos de referência facilmente identificáveis pelo indivíduo).

A cidade é um espaço explorado tanto pelos adultos, mas também pelas crianças. Para a maioria delas o seu crescimento e desenvolvimento se dá dentro de uma cidade. Sendo assim, um dos fatores do desenvolvimento de uma criança é a exploração do ambiente que a cerca. Além dos fatores já citados, os pais influenciam o raio de ação da criança. Em um estudo com adultos, relatando suas experiências de criança, Gaster(1991) encontrou que ao longo de três gerações estudadas, o acesso da criança a sua vizinhaça tem diminuido. Um dos motivos é a preocupação dos pais com a segurança de seus filhos, estes passam a se engajar em atividades supervisionada por outros adultos.

Harkloff, Lehnert e Eybisch (1998) citam alguns aspectos que influenciam a amplitude do raio de ação das crianças. São eles:

- a atratividade da moradia da criança e da sua vizinhança: lugares destinados para atividade das crianças, como por exemplo, parquinhos ou outros locais, como campos arborizados, salas de brinquedos, etc.

- localização da moradia: como é a proximidade dos outros moradores, no centro da cidade ou na periferia, e as próprias caracteristicas da moradia, se casa ou apartamento, prédios em volta, casa próximas, etc.

- a idade e o gênero: tanto a idade quanto o sexo da criança pode influenciar a exploração do ambiente.

- Transitar: os perigos que o tráfico oferece, as possibilidades de movientação, ônibus, a pé, ônibus.

Dentre esse aspectos , dois foram estudados pela literatura. A idade e sexo mostraram que a medida que a criança cresce o seu raio de ação aumenta e que os meninos teriam um raio de ação maior que o das meninas (Muchow e Muchow, 1978). No estudo de Gaster (1991) que crianças entre 11 e 14 anos tiveram um maior raio de ação que as crianças nas demais idades(5 a7, 8 a 10 e 14 a 16 anos).

Como a criança explora seu ambiente, como ela experência esse o mesmo influência na sua formação e no seu desenvolvimento. Investigar aspectos relacionados ao tema possibilita uma melhor adequação do que a cidade oferece pode oferecer às mesmas propiciando um melhor crescimento e desenvolvimento.

Já que se vive em uma cidade, por que não estudá-la? O estudo em uma cidade Satélite de Brasília, Taguatinga. Os objetivos foram: (1) investigar como as crianças representam a cidade em seu respectivo mapa e (2) qual seria o tamanho do raio de ação das mesmas. Especificamente o trabalho estudou o raio de ação de pré-adolescentes através do mapa cognitivo que eles representem em cima de mapas cartográficos de suas respectivas cidades.

Metodologia

Sujeitos

Participaram do estudo 20 crianças entre 11 e 14 anos, de ambos os sexos (9 meninas e 11meninos) residentes em Taguatinga. As primeiras dez crianças foram recrutadas de uma escola pública na parte norte de Taguatinga. As outras dez foram selecionadas pela proximidade com a pesquisadora (amostra de conveniência).

Material

Utilizou-se um questionário (em Anexo) abordando os seguintes aspectos: os lugares freqüentados pelas crianças na cidade (Taguatinga e Plano Piloto), como ela se locomove dentro da cidade, qual o tempo de residência naquela casa e outros lugares que morou, quais os lugares que ela considera perigosos e seguros na cidade, o que já estudou sobre mapas e dados demográficos. Mapas ampliados e fotocopiados das respectivas cidades (Taguatinga e Plano Piloto), suficientemente ampliados para que a criança pudessem escrever e tracejar no mapa.

Local

Para as dez primeiras crianças, os dados foram coletados na escola onde estudavam. Os dados das dez crianças restantes foram coletados na casa da pesquisadora.

Procedimento

Inicialmente, se aplicava a primeira parte do questionário, citando lugares em Taguatinga e no Plano Piloto e perguntando se a criança ia ou não a esses lugares. Era pedido para a mesma citar outros lugares que ela também freqüentava, lugares que ela considerava perigosos e seguros durante o dia e durante a noite na cidade. Então, era mostrado o mapa de Taguatinga para que ela numerasse os locais citados no questionário que eram freqüentados. Completada essa tarefa, pedia-se que com uma caneta (azul), a criança tracejasse no mapa os locais que ela conhecesse bem, que ela estivesse segura desses locais (podendo imaginá-los mesmo fechando os olhos). Com outra caneta (verde), pedia-se que a criança tracejasse, agora, os locais que ela conhecia, que já havia passado, mas que não conhecia tão bem quanto os locais marcados de azul. Em seguida, com uma outra caneta (vermelha) a criança deveria marcar os lugares que ela considerasse perigosos (tanto de dia quanto de noite) na cidade. E, finalmente, era dada outra caneta (laranja) para que as crianças marcassem os lugares seguros (de dia e de noite) na cidade.

Caso durante o questionário, a criança citasse lugares no Plano Piloto, era então mostrado o mapa dessa cidade e se seguia o mesmo procedimento aplicado ao mapa de Taguatinga: identificação e numeração no mapa dos lugares citados no questionário; marcação, com canetas de cores diferentes, dos lugares bem conhecidos, pouco conhecidos, perigosos e seguros.

Ao final, pedia-se que elas fornecessem os endereços dos locais marcados tanto no mapa de Taguatinga quanto, se fosse o caso, no mapa do Plano Piloto.

Completada essa tarefa, era respondido o restante do questionário que constava dos dados de como geralmente a criança se locomovia pelos lugares citados; se sempre residiu no mesmo local de moradia citado; a escola onde estudava e se sempre estudou na mesma; o que conhecia sobre mapas; e dados demográficos.

Resultados

Todas as crianças conseguiram manusear e marcar as localidades no mapa. Apenas uma conseguiu marcar todos os locais corretamente, as demais cometeram erros. O mapa no qual cometeram mais erros foi o do Plano Piloto. Três crianças não utilizaram esse mapa.

Os locais mais freqüentados pelas crianças foram: igreja, casa de amigo(a), casa de parente, clube, ShoppingTopmall (em Taguatinga) e Parque da Cidade (Plano Piloto). Para esses locais e para os outros as crianças se locomoviam de ônibus, a pé ou de carro, sendo esse último o mais freqüente. As meninas se locomovem predominantemente de carro. Já os meninos oscilam entre carro e a pé. A tabela 1 mostra os Km médios traçados nos mapas em função do meio de locomoção utilizado. Os dados mostram que a maior amplitude percorrida pela criança é quando ela se locomove a pé. Apenas em relação aos lugares bem conhecidos em Taguatinga não há diferenças entre andar de carro ou andar a pé.

Tabela 1: Média dos lugares traçados pelas crianças nos mapas de Taguatinga e Plano Piloto em função do meio mais utilizado

Locomoção (Km) / Lugar

Ônibus (n=3)

Carro (n=11)

A pé (n=5)

Lugares bem conhecidos em Taguatinga

28.17

73.67

75.64

Lugares pouco conhecidos em Taguatinga

32.49

26.38

64.28

Lugares bem conhecidos no Plano Piloto

37.50

86.40

181.50

Lugares pouco conhecidos no Plano Piloto

33.50

51.90

83.00

Média

32.91

59.58

101.10

As crianças em geral ou moram na mesma casa, ou sua antiga residência era em Taguatinga. Todas estudam na mesma escola ou estudavam em escolas da cidade. O que estudaram na escola sobre mapas refere-se, na maioria das crianças, ao Mapa-mundi e ao Mapa do Brasil. Apenas duas crianças citaram que conheciam o mapa de Taguatinga. Os lugares seguros considerados pelas crianças tanto de dia quanto de noite foram os Shoppings. O lugar apontado como perigoso foi a cidade de Ceilândia tanto de dia quanto de noite.

A Figura 1 mostra a média dos lugares bem conhecidos pelas crianças traçados no mapa de Taguatinga em função da idade dos sujeitos (11, 12, 13, e 14 anos). A idade de treze anos possui a maior amplitude (87,73 Km). Isso pode ser observado também nas outras três figuras. Para a figura 2, que mostra a quilometragem média dos lugares bem conhecidos traçados no mapa do Plano Piloto em função da idade, a amplitude foi de 150,16 Km. E para as demais, figuras 3 e 4 que mostram a média dos lugares pouco conhecidos em Taguatinga e no Plano Piloto traçados nos respectivos mapas em função da idade, a média para a idade de 13 anos foi, na figura 3 de 82,18 e na figura 4 de 72,83 Km. Nas figuras 1 e 4 pode-se observar que a diferença da média entre as outras idades e a idade de 13 anos foi menor que nas figuras 2 e 3, havendo uma gradação.

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A Figura 5 mostra a quilometragem média dos lugares bem conhecidos pelas crianças traçados no mapa de Taguatinga em função do sexo dos sujeitos. Para as meninas a média (75,70Km) foi maior que para os meninos (59,25Km). Na figura 6, que mostra a quilometragem média dos lugares bem conhecidos pelas crianças traçados no mapa do Plano Piloto, pode-se se observar que não houve diferença entre os sexos, uma média ligeiramente maior para os meninos (103, 22Km) em relação as meninas (99,12Km). A figura 7 mostra a quilometragem média dos lugares pouco conhecidos pelas crianças traçados no mapa de Taguatinga em função do sexo. Observa-se que os meninos traçaram uma maior quilometragem que as meninas. O que se pode observar também na figura 8, que mostra a quilometragem média dos lugares pouco conhecidos pelas crianças traçados no mapa do Plano Piloto em função do sexo, onde ocorreu a maior diferença entre as médias. A amplitude dos meninos foi de 74, 25 Km enquanto das meninas foi de 45,00.

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As figuras 9 e 10 apresentam os lugares pintados no mapa de Taguatinga assinalando, respectivamente, os lugares bem conhecidos pelas crianças e os lugares pouco conhecidos. Mostram que os lugares bem conhecidos pelas crianças se concentram em torno da região de moradia. Já os lugares pouco conhecidos se expandem para mais além da vizinhança. Enquanto, os lugares bem conhecidos se restringem à parte norte da cidade, os lugares pouco conhecidos atingem os dois extremos da cidade, tanto a parte final de Taguatinga norte quanto a parte final de Taguatinga sul. As figura 11 e 12 mostram os lugares pintados no mapa do Plano Piloto , respectivamente, os lugares bem conhecidos pelas crianças e os lugares pouco conhecidos. Tanto os lugares bem conhecidos quanto os lugares pouco conhecidos se baseiam nos pontos turísticos da cidade. (Ver figuras 9, 10, 11 e 12 em anexo).

Discussão

Todas as crianças foram capazes de realizar a tarefa pedida. E, de fato, pode-se concluir que no mapa foram representados os mapas cognitivos das crianças em relação à cidade. Apesar de nunca terem manuseado um mapa com as características do mapa utilizado na pesquisa, todas já haviam tido contato com outros tipos de mapas.

Os lugares mais freqüentados pelas crianças mostram que a cidade é explorada através da rede social da mesma. Onde ela vai na cidade está relacionado com pessoas conhecidas. Isso pode ser explicado pelo próprio fato de serem crianças, e por isso ainda não exploram o ambiente totalmente sem a supervisão de adultos, dependem deles para se locomoverem, já que a maioria das crianças utiliza basicamente carro para locomoção. Isso as vincula necessariamente a um adulto que dirige.

Gaster (1991) observou que a faixa étaria de 11-13 anos possuía o maior raio de ação. No presente estudo, parece ser aos treze anos que a criança atinge sua amplitude máxima de raio de ação. Crianças mais novas ainda estão expandindo seu raio de ação, enquanto que crianças mais velhas, já adolescentes, parecem estabelecer um espaço fixo dentro da cidade. Já que preferem ir para os mesmos lugares. Parecem já ter explorado o suficiente, e agora passam a escolher lugares fixos para irem.

De fato existem diferenças, não só pela idade, mas pelo sexo também, em como se comporta o raio de ação das crianças. É interessante observar que as meninas possuem um raio de ação maior que os meninos quando o lugar, na ciadade onde moram, é bem conhecido. Poderia se explicar pelo fato de que as meninas andam mais pelos mesmos lugares e conhecem melhor esses lugares. Com relação ao Plano Piloto meninas e meninos têm, praticamente, o mesmo raio de ação. Já para os lugares pouco conhecidos os meninos apresentam uma maior amplitude de espaço explorado. De acordo com a tese de que os meninos teriam um maior raio de ação (Mushow e Muschow, 1978), os dados confirmam a afirmação apenas em relação aos lugares pouco conhecidos, já em relação aos lugares bem conhecidos não há diferença ou as meninas possuem um maior raio de ação.

O raio de ação das crianças parece ser relacionado com o local de moradia da mesma (Harkloff, Lehnert e Eybisch, 1998). Isso pode ser visto nas figuras 9 e 10 onde os lugares bem conhecidos ficam próximos aos locais da moradia da criança enquanto os poucos conhecidos distribuídos pela cidade de Taguatinga. O Plano Piloto é explorado a partir de seus pontos turísticos, seus parques e shoppings. Parece que a rede social das crianças se restringe a cidade onde moram, poucas crianças relataram amigos fora de Taguatinga. E, igualmente poucas, relataram parentes.

Um dado interessante, foi o fato das crianças indicarem que o lugar mais seguro na cidade são os shoppings. Elas justificavam, e parece ser razoável, que neste recinto havia sempre um segurança por perto e havia sempre muitas pessoas circulando. Outros fatores podem ser que os pais os levem e permitam que eles fiquem sozinhos, e é um local fechado com lugares bem determinados para entrada e saída.

Concluindo, ambas as cidades Taguatinga e Plano Piloto oferecem um ambiente a serem explorado pelas crianças. Como o espaço pessoal da criança nessas cidades irá se expandir depende, em parte, da idade, do sexo, das suas relações sociais e da percepção de segurança daqueles locais.

Referências

Gaster, S (1991) Urban children's access to their neighborhood:changes over three generations. Environment and Behavior, 1, 70-85.

Harloff, H.J; Lehnert, S & Eybish, C. (1998) Children's life world in urban enviroments. Em Görlitz, D.; Harloff, H.J; Mey, G.; & Valsiner, J (orgs). Children, cities and psychological theories. Berlim; New York: de Gruyter.

Lynch, K. (1960) A imagem da cidade. São Paulo: Ed. Livraria Martins Fontes.

Muchow & Muchow (1978) Der Lebensraum des Großstadtkindes ( O espaço de vida da criança urbana). Bensheim, Germany:päd. Extra Buchverlag.

Anexo: Roteiro de Entrevista Utilizado

LUGARES No. sim não ENDEREÇOS
Igreja        
Escola        
casa amigo        
casa parente        
clube        
top mall        
academia        
feira        
chácara        
boite        
parque da cidade        
Pátio Brasil        
         
         
         

ENTREVISTA

  1. Como você geralmente se locomove?
        Ônibus    Carona    Carro    Lotação   
  2. Sempre morou nessa casa? (   ) S    (   )N
  3. O que estudou sobre mapas?
  4. Escola
  5. Sempre estudou nessa escola? (   )S    (   )N
  6. Quais são os lugares perigosos?
    1. Dia:
    2. Noite
    3.  
  7. Quais são os lugares seguros?
    1. Dia
    2. Noite
    3. Por quê?
  8. Sexo: (  )F    (  )M
  9. Idade
  10. Série
  11. Local
  12. Data

Mapas utilizados no estudo

Figura 09: Lugares bem conhecidos em Taguatinga

Figura 10: Lugares pouco conhecidos em Taguatinga

Figura 11: Lugares bem conhecidos no Plano Piloto

Figura 12: Lugares pouco conhecidos no Plano Piloto